Caso Ghosn colocou o sistema de Justiça do Japão na mira internacional

Passado um mês desde que foi detido, Carlos Ghosn, 64, continua ocupando o centro das atenções da mídia japonesa. Hoje, alguns programas de televisão mostraram a cela na qual ficam os detidos para interrogatório na Casa de Detenção de Tokyo, localizado no distrito de Katsushika.

No início, Ghosn havia sido colocado num quarto de 3 tatames (um pouco menos de 5 metros quadrados), onde os detidos devem permanecer a maior parte do dia sentados no chão, com as pernas dobradas.

Segundo representantes da Casa de Detenção, mais tarde o empresário foi transferido para uma cela com cama, onde dorme vigiado por policiais. Diariamente, ele passa duas a três horas sendo interrogado por um promotor que fala inglês.

Por ter a nacionalidade brasileira, francesa e libanesa, Ghosn tem recebido a visita de representantes diplomáticos desses países.

Teoria da conspiração

Carlos Ghosn foi detido em 19 de novembro, por sonegação fiscal, acusado de omitir cerca de metade de seu rendimento por alguns anos. A última acusação, formalizada no dia 23, baseia-se em quebra de confiança, ao transferir perdas no valor de ¥ 1,85 bilhão (US$ 16,77 milhões) em investimento pessoal para a Nissan.

Ainda é cedo para se chegar a uma conclusão. Ghosn, que foi destituído da presidência da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, continua como CEO da Renault.

Uma parte da mídia japonesa chega a considerar um “plano de conspiração para tirar Ghosn”, liderada pelo CEO da Nissan, Hiroto Saikawa. A diretoria da Nissan não via com bons olhos a supremacia da Renault no controle da aliança. Se Ghosn cometeu atos ilícitos ou não, um dia saberemos.

Colega de Ghosn deve ser solto

Greg Kelly, 62, diretor da Nissan, que havia sido detido junto com Carlos Ghosn, pode ser solto em breve. O Tribunal Regional de Tokyo decretou a liberdade do executivo, sob uma fiança de ¥ 70 milhões (US$ 634 mil). A Promotoria apelou da sentença e a decisão final será tomada por três juízes regionais.

Já Carlos Ghosn deverá ficar detido até 1º de janeiro.

Clique aqui para ver o vídeo (em inglês) gravado por Dee Kelly, mulher de Greg Kelly, no qual acusou o CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, de liderar uma “tentativa de tirar o poder” de Ghosn e Kelly, de forma equivocada.

A prisão dos dois executivos colocou o sistema de Justiça do Japão na mira internacional. Aqui, a promotoria pública pode prender suspeitos durante semanas, sem acusação formal. Em 99,9% dos casos, os suspeitos acabam sendo indiciados.

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